Page 111 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
ONDE ENCONTRAR? (18/03/2018)
Faz alguns anos que ando tentando encontrar aquela antiga
paz e sossego que vivi em meu tempo de criança.
Certa de que já se passaram quase 80 anos, acredito que
não sejam suficientes para se perder tudo que existia de bom e
seguro na vida.
Naquela época, eu vivia tranquila e nem sonhava com os
perigos que os jovens de hoje enfrentam. Corria solta pelas ruas
e jardins da cidade. Minha casa no verão, quase nunca
fechávamos as janelas, salvo quando vinha uma chuva forte.
Raramente, escutávamos falar sobre roubos. Assalto era
uma palavra que nunca era usada. Violência acredito que existia,
mas não chegava aos ouvidos dos mais jovens.
Meus pais viviam tranquilos e não se preocupavam
conosco quando saíamos para ir à escola ou ao cinema nos finais
de semana.
Sequestro foi uma palavra que começou a fazer parte de
meu vocabulário há não muitos anos. Juntamente com ela,
começaram a fazer parte dele outras, com traficante, drogas,
trombadinhas, latrocínio, assassinatos, balas perdidas, e, a mais
importante, insegurança.
Atualmente, o povo que trabalha não vive, apenas
sobrevive. É assaltado todos os dias, pelos governantes, como
pelos bandidos.
Não existe segurança que lhe garanta chegar em casa com
seu carro, celular, ou mesmo com vida.
As casas hoje em dia são as verdadeiras prisões. Vivemos
cercados por câmeras, cercas elétricas sensores de alarme, e nada
disso adianta quando resolvem invadi-las.
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