Page 31 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
minutos do dia. Ele que gostava de cuidar de plantas começou a
se dedicar aos cuidados de todos os vasos de samambaias que
havia plantado. Passava a manhã toda no quintal. Chegou a fazer
uma horta plantada em grandes vasos, e assim acabou se
afastando dos amigos que sempre o levavam para os bares da
vida.
O casal passou a viajar pelo Brasil. Duas vezes por ano se
dirigiam ao Pantanal para a temporada de pesca, onde ele erguera
um pequeno rancho.
Em outras ocasiões, faziam viagens pelo litoral deste
grande país. Ou também, indo à Europa. Desta forma foram se
unindo cada dia mais.
Problemas com os filhos acabaram chegando, mas isso era
de se esperar. Aconteceu que todos voltaram a viver com eles,
mesmo que fosse por algum tempo. Diferentemente do que
acontecera com ela, sempre os acolheu de braços abertos, apesar
de eles nunca chegarem a reconhecer o tamanho da ajuda
recebida.
Nos doze últimos anos de vida de seu marido, o antigo
amor acabou revivendo. Ele estava apenas adormecido
esperando a chance de retornar. Não era mais aquele amor
juvenil carregado de arroubos românticos, mas um amor calmo
e maduro. Um amor baseado no companheirismo, na amizade.
Apesar de os problemas continuarem aparecendo através
de seus filhos, juntos sempre encontravam uma solução
satisfatória.
Passaram a ser chamados de “O casal” pelos amigos que
adquiriram no final da caminhada. Ele acabou partindo atacado
por um câncer que destruiu seus pulmões.
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