Page 37 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre


                  Neste instante, a noiva se apresenta, está maravilhosa no
            vestido de renda guipure e lamê que eu mesma havia desenhado
            e confeccionado! Ela aparenta ter apenas vinte e poucos anos de
            idade.
                  Sem nenhum aviso ela grita:
                  – Tenho que ir até minha casa, pois esqueci algo muito
            importante!
                  Eu desesperada respondo:
                  - O Juiz de Paz está para chegar, não vai dar tempo!
                  Ela insiste:
                  - Estou com um Helicóptero aqui na frente, vou e volto
            rapidinho.
                  E partiu rapidamente.
                  Eu voltei a ficar como recepcionista. Pouco depois, chegou
            o Juiz e seu ajudante. Encaminhei os dois até a grande mesa, e
            ficamos à espera.
                  Ele já estava começando a ficar irrequieto, quando a porta
            da frente se abriu e minha irmã entrou.
                  Meu coração deu um pulo de aflição, pois ela não usava
            mais o lindo vestido branco. Estava usando uma roupa igual à
            das mães de santo, só que na cor verde-floresta! Estava descalça
            e se dirigiu a uma das laterais do quintal ignorando totalmente o
            tapete vermelho.
                  Começou a entoar uma canção muito esquisita e enquanto
            caminhava para o altar abaixava-se até o chão e, ora com uma
            mão, ora com a outra, parecia varrer sujeiras que se encontravam
            à sua frente.
                  Ao  chegar  frente  ao  Juiz  se  endireitou.  Mas,  só  então
            perguntaram:
                  - Onde está o noivo?



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