Page 117 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
SER DIVINO. (05/03/2017)
Por vários anos eu me questionava o fato de ter nascido
mulher.
Não me conformava em ser apenas a esposa, na vida de
meu marido. Ele era reconhecido por todos como um grande
arquiteto, enfim, como um grande homem. Obteve o respeito de
todos por suas grandes obras, que trouxeram progresso e bem-
estar a toda população de nossa cidade.
Eu, entretanto, continuava à sua sombra. Era apenas a
esposa que cuidava do bem-estar de toda família. Nunca, pessoa
alguma aplaudia o que eu fazia, por melhor que o fizesse. Eu
costurava, tricotava, fazia crochê etc. Quase toda a roupa de
meus filhos, inclusive, blusões e casacos de frio para meu esposo
era eu quem fazia. Sentia-me feliz realizando estas coisas, até
que um dia comecei a dar tratos à bola!
- Por que minha vida era tão diversa da de meu marido?
Afinal, não viemos ao mundo da mesma maneira? A minha
capacidade intelectual não era igual a dele?
As perguntas surgiam, mas sempre acabavam sem
resposta. Acabei parando de fazê-las.
Os anos se passaram e meu companheiro acabou chegando
ao final de sua estrada e me deixou só.
Depois de sua partida, tudo começou a se esclarecer. Na
realidade, eu é que era o pilar que sustentava esta família em pé
e não ele.
O coadjuvante nesta história em realidade era ele, pois se
eu não o tivesse dado respaldo, duvido, que teria realizado tanto.
Não quero colocar em xeque os seus próprios méritos, mas houve
dias que somente eu sei como era difícil conviver com ele.
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