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Retalhos de Uma Vida
tal evento, me avisaram que todas as cirurgias haviam sido
suspensas, só seriam realizados procedimentos emergenciais.
Fiquei preocupada, pois com esta doença não se brinca,
quanto antes acudirmos melhor é. O tempo foi passando e nada
de resolverem a situação. Foi preciso que minha filha que é
médica, juntamente com o cirurgião, entrassem na luta para
conseguir que eu fosse operada. Só que com três meses de atraso,
o nódulo que era pequeno já havia se expandido, sorte que não
tive ramificações, mas os linfonodos das axilas aumentaram em
número e o procedimento acabou sendo maior do que o esperado.
Tudo correu a contento até eu ter que começar os
procedimentos de quimioterapia e radioterapia. A quimio não
está me causando muitas reações, mas a radioterapia, apesar de
todo mundo dizer que não traz muitos problemas, para mim foi
completamente o contrário. Não sei se pela fragilidade de minha
pele que é muito clara e quase não aceita agressões, nem mesmo
dos raios solares, foi uma tortura. As queimaduras me trouxeram
muitas dores e desconfortos. A médica foi muito competente e
acabou dando uma pausa entre as sessões, mas quando voltei,
acabou tudo se repetindo. Até agora, ainda sinto as
consequências da radioterapia.
Querem saber o que mais me faz falta, apesar de todas as
mazelas que passei? É a falta do convívio humano. Sempre fui
uma pessoa que gosta de abraços, beijos, reuniões com amigos.
Estava sempre a realizar encontros de chás em minha casa ou
saía ao encontro de amigas no Shopping ou em outro qualquer
lugar.
Meus dias eram sempre repletos do que fazer. Havia as
palestras da Unati (Universidade para a Terceira Idade), aulas de
teatro, ensaios do coral, aulas de línguas, tive até aulas de
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