Page 127 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre


            pintura, e  quando  em  casa,  uma  parte  do dia  era  dedicada às
            costuras de enxovais para os nenês da Meimei. Algum tempo
            passava a ficar escrevendo meus livros.
                  Hoje,  não  tenho  mais  nada  disto.  Minha  veia  criativa
            parece que resolveu também me deixar em paz. Ainda bem que
            a vontade de costurar está voltando apesar de eu ainda me sentir
            muito fraca, mas é o que está me segurando viva.
                  Uma  reação  alérgica  infecciosa  atacou  o  meu  braço
            esquerdo  durante  a  radioterapia  e  apesar  de  não  ter  mais  a
            infecção, ele nunca mais voltou ao seu tamanho natural nem à
            sua cor normal. Tornou-se de uma cor arroxeada e ficou com
            pouca mobilidade, mas assim mesmo consigo costurar, mesmo
            que por pouco tempo. Estou voltando a me sentir útil novamente.
            Dizem os médicos que vou ter de conviver com este problema
            em  meu  braço,  para  sempre,  pois  é  erisipela,  resultante  das
            infecções causadas pela radioterapia.
                  Este ano de 2020 está chegando ao seu final e acredito que
            não deixará saudades em ninguém, pois não há no mundo quem
            não  esteja  chorando  por  pessoas  queridas  que  partiram  cedo
            devido a este vírus maldito o da COVID-19.
                  Eu posso dizer que este ano não vai deixar em mim nem
            um pouco de saudades. Foi um ano em que minha vida ficou
            suspensa por um cordão. Espero que o que está por chegar seja
            melhor que este que está chegando ao seu final.














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