Page 15 - RETALHOS DE UMA VIDA
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AUTOANÁLISE. (27/04/2019)
Hoje, quase completando 81 anos. Resolvi fazer um
balanço de minha vida.
Depois de muito analisar e pensar em tudo que vivi,
durante estes longos anos, cheguei à conclusão de que sou uma
pessoa privilegiada, pois, apesar das inúmeras rasteiras sofridas,
sempre consegui sair de todas de cabeça erguida e sem muitas
escoriações.
Deus me deu um dom que poucas pessoas possuem, o dom
de saber perdoar e esquecer. Quando alguém me magoa e chega
arrependida, saiba que aquele episódio estará banido para sempre
de meu coração. São poucos os fatos que me machucaram, que
permanecem em mim; mesmo assim faço questão de colocá-los
num cantinho bem escondido para que demore a aflorar.
Hoje, eu me classifico como uma “formiguinha
ceifadeira”, daquelas que armazenam durante o ano todo para
nutrir a colônia no inverno; ou uma “abelha” daquelas que vão
de flor em flor colhendo o pólen para ser transformado em mel,
que servirá de alimento a toda colmeia.
A formiguinha representa a parte de meu mundo material,
aquele que nem sempre conseguimos superar nas intempéries da
vida. É a parte de meu ser que se preocupa com dinheiro,
poupanças, e tudo que se refere à subsistência.
A abelha é, sem dúvida alguma, responsável pelos meus
sentimentos, pela minha alma; é através dela que consigo
guardar tudo que meus olhos e meus sentimentos captam deste
mundo. Desde a maravilha de poder abrir os olhos todas as
manhãs, admirar o nascer e o pôr do sol, ouvir o canto dos
passarinhos, e até mesmo o rumor das folhas das árvores quando

