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Retalhos de Uma Vida
GATILHOS DA VIDA. (07/09/2018)
Há alguns dias, estava transferindo os grãos comprados
para os vidros apropriados, quando sem prestar muita atenção
acabei misturando milhos de pipocas com quireras, pois os
pacotes são muito parecidos. Fiquei aborrecida, mas resolvi que
iria separá-los.
Transcorridos alguns dias, senti vontade de estourar
pipocas e só então me lembrei do que teria de fazer se quisesse
saborear as ditas cujas. Peguei o vidro e despejei seu conteúdo
na mesa da copa e comecei pacientemente a separação dos grãos.
Sem que percebesse, fui arremessada a um passado
remoto. Me transformei naquela menininha de nove anos de
idade que ainda morava na fazenda com seus pais. Estava
sentada ao lado de minha amiga Isaura, filha de um dos colonos
e à nossa frente uma montanha de feijões. Tínhamos de fazer a
separação de pedras e outras impurezas a fim de que mamãe
pudesse levá-los ao fogo.
Nesta ocasião, mamãe se transformava em cozinheira de
um número imenso de pessoas, pois, era a época do corte das
canas e muitos trabalhadores vinham de longe para fazer este
trabalho temporário. Se alimentavam num pátio à frente da
cozinha da fazenda. Papai era dono de um engenho onde
fabricava aguardente que armazenava em grandes tonéis para
envelhecimento. Ao mesmo tempo que fabricava ia
engarrafando as mais antigas para liberar espaço para as mais
novas.
Eu me sentia feliz, pois a fazenda ficava muito
movimentada e os afazeres eram muitos. Eu amava estes
momentos da cata dos feijões, pois eu e Isaura fazíamos o
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