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Retalhos de Uma Vida
O GATILHO. (08/02/2018)
Nossas lembranças mais remotas, costumam vir à tona,
quando algo externo aciona um gatilho interno e somos
remetidos a situações vividas no passado. Algumas delas não são
agradáveis, mas, quando nos remete a situações de prazeres,
estas, sim, são bem-vindas.
Não sei qual foi o gatilho que me fez sair da cama, tendo a
sensação de estar vivendo na época em que tinha quatro ou cinco
anos de idade. Um sentimento de prazer, calma e tranquilidade
invadia todo meu ser.
Via-me sentada em uma cadeira frente a uma grande mesa
com uma enorme caneca de sopa de pão com leite, mas ao
mesmo tempo parecia que eu pairava sobre ela como se estivesse
em transe. De repente, sou acordada com um safanão. É minha
tia Santa (Alice) dizendo que é muito feio dormir sugando o pão
como se ele fosse uma chupeta!
Olhei para ela sem entender e senti pela primeira vez raiva
de alguém. Não entendia como a maravilha que estava sentindo
podia ser alguma coisa feia!
Somente agora, depois de ter passado tantos anos, pude
entender o que sentia naquele momento. Era o cansaço tomando
conta de meu pequenino corpo e me fazendo cochilar frente ao
meu dejejum.
Talvez esta recordação tenha perdurado por causa da forma
que me trouxeram à realidade. Um grande contraste entre o
prazer e a raiva.
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