Page 23 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
A VELHA SENHORA. (março de 2021)
Ela passa grande parte de seu dia sentada, apenas
observando o que se passa a sua volta.
Não existe pessoa que não se apaixone pelo seu ar
tranquilo, de olhar meigo e feliz. Ela transborda amor através de
seus olhos. São de um azul incomparável, é de uma cor muito
rara. Seu olhar é límpido, transparente e profundo.
Quem chega para conversar com ela acaba ficando por
muito tempo, pois, tem o dom de escutar as mágoas dos outros
como se fossem as suas próprias. Tem uma forma peculiar de
acalmar as almas feridas, somente doa seu ombro para que elas
se recostem e depois dá um abraço, que parece carregar todas as
dores para outro plano.
A velha senhora nunca está só, há sempre alguém a seu
lado buscando um pouco de sua luz. Luz esta, que emana de
todos seus poros, só não vê quem é totalmente cego.
Durante sua longa caminhada já foi chamada de tia,
algumas vezes de mãe postiça, mas atualmente é a avó de todo
mundo.
Ela acaba sempre cuidando das feridas do coração de quem
se aproxima dela, mas será que alguém já cuidou um dia das
feridas que o mundo deve ter-lhe causado?
Alguém algum dia se interessou pela sua história de vida?
Acredito que não.
É por isso que eu resolvi escrever sobre a sua vida.
Então vamos lá.
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