Page 25 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
filhos, por ainda serem menores, não precisaram se separar dela,
pois ainda não estavam sendo alfabetizados.
Assim como num sopro, a linda garota se viu sem sua
família e não conseguia entender o porquê de ter sido
abandonada.
Foi assim que ela começou a aprender o que era viver
realmente.
Os anos passavam e ela vivia se mudando de família em
família. Era sempre uma situação que ela nunca sabia o quanto
iria durar. Não conseguia se sentir segura, por isso se fortalecia
para ser autossuficiente. Sua autopreservação começou a nascer
dentro dela com toda força do mundo.
Só se sentia plenamente feliz quando as férias chegavam,
ou apareciam alguns feriados, quando podia voltar para o
convívio de sua própria família. Mas, já não era a mesma coisa,
não se sentia totalmente integrada, algo havia se quebrado, mas
a felicidade era tanta que ela fingia não perceber.
Este drama continuou até sua adolescência, quando seus
pais resolveram deixar a fazenda e se mudar para a cidade.
Aos poucos foi encontrando novamente seu lugar junto à
família, só que agora se sentia mais forte para lutar por tudo que
merecia nesta vida.
Durante o período de afastamento, a linda jovem aprendera
a costurar e passou a tecer seus próprios vestidos. Neste ínterim,
aprendera a dedilhar um violão que se transformou em seu amigo
inseparável. Era ele quem a acalentava nos momentos em que
necessitava de um amigo leal.
A linda menina se transformara numa jovem alegre e
extrovertida, por quem todos que se aproximavam, acabavam se
apaixonando pelo seu modo alegre de viver.
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