Page 63 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
encostar-me em nenhum lugar que estivesse na altura de meus
peitinhos, tanto era a dor que isso me causava, que saía pulando
como um cabritinho.
Já faz algum tempo que aquele mal-estar passou, e agora
as transformações começam a afetar o meu modo de ser.
Muitas vezes, me pego analisando de forma diferente
algum coleguinha de classe que até há poucos dias me era
indiferente.
Mudou-se para nossa cidade um jovem muito bonito,
moreno de olhos tão verdes que parecem brilhar como lanternas
acesas.
Começou a frequentar a mesma escola na qual estudo.
Tornou-se, inclusive, meu colega de classe. Não sei por que, mas
cada vez que ele se aproxima de mim para conversar, meu
coração dispara. Eu fico toda encabulada, minha voz acaba
ficando presa na garganta, meu rosto parece que vai pegar fogo.
Esse sentimento é uma coisa muito estranha e muito
assustadora para mim.
Não sei se ele sente o mesmo que eu, mas o fato é que
sempre fica por perto, acredito que percebeu que de alguma
forma mexe comigo.
Esse sentimento faz-me sentir muito estranha. Hoje pediu
para me acompanhar até minha casa no final das aulas.
Ao sairmos do prédio escolar, já me esperava, pegou os
livros e cadernos que eu carregava, e fez questão de os levar até
o portão de entrada de minha casa.
Minhas colegas caminharam conosco papeando
alegremente, mas percebi que estavam com um pouco de inveja.
Ele é realmente muito bonito, e todas as meninas sonhavam em
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