Page 65 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
pimentão maduro. Quando tem algum acesso de riso a mesma
coisa acontece, parece que todo o sangue de seu corpo migra
num passe de mágica para suas faces.
Levantei-me de manhã bem cedo, vesti uma calça
rancheira e uma blusa xadrez de algodão.
Depois parti rumo ao estábulo, onde Isaura me aguardava
para nosso passeio matinal, mas antes, parei no mangueirão onde
mamãe me aguardava com uma grande caneca repleta de leite
com café.
O leite havia sido ordenhado naquele instante, e a espuma
estava tão intensa que escorria pelas bordas da vasilha. Este é um
dos prazeres de se estar na roça. Quem mora na cidade não tem
este privilégio.
Partimos para nosso passeio, resolvemos ir até o canavial
e depois dar uma passada pelo cafezal. Subimos até o nosso
destino trotando calmamente, e conversando sobre vários
assuntos.
Ela me colocou a par de tudo que havia acontecido na
colônia enquanto eu estudava na cidade. Contou-me que havia
conhecido um rapaz e que estava gostando dele. Como ela era
mais velha, não recebi a notícia com surpresa, pois na fazenda as
moças costumam se casar muito cedo.
Na volta, ela me propôs fazermos uma corrida, iríamos do
cafezal até o início das canas. Quem chegasse primeiro ganharia
o prêmio que era o de ficar sem arrumar a cozinha por dois dias.
Eu já sabia que seria a perdedora, mas aceitei o desafio
assim mesmo, só para ver a cara de felicidade que ela faz nestas
horas.
Dito e feito, partimos num galope desenfreado, mas como
previ, ela acabou ganhando a prova.
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