Page 138 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Retalhos de Uma Vida
Ele parecia beber cada palavra que ela dizia. Se por acaso
ela parasse, ele com dificuldades dava um jeito de a tocar para
que continuasse a falar.
Miguelina sabia que ninguém viria passar o Natal com
eles, pois da família só restaram os dois e mais três bisnetos que
viviam em países distantes. Ela somente queria dar um pouco de
alegria a seu amado, pois dificilmente ele viveria até à noite de
Natal. Ela se enganara, pois na noite da ceia ele pareia que havia
recuperado um pouco de sua saúde e sanidade mental.
Ela colocou sua cadeira na cabeceira, como sempre fazia.
Abriu sua voz e cantou os mesmos cânticos de antigamente. Os
olhos de Giovane pareciam duas lanternas de tão brilhantes. Seu
semblante transparecia felicidade. Olhava para cada cadeira
colocada em volta da mesa como se enxergasse alguém sentado
em cada uma.
Por várias vezes ela teve a impressão de que ele iria falar,
mas só conseguia mesmo sorrir.
Antes de servir a comida, Miguelina se dirigiu até onde se
encontrava seu marido e qual não foi a surpresa: quando ele a
puxou com ambas as mãos, que não se mexiam há muitos anos,
deu-lhe um beijo na boca.
A emoção foi tanta que ela começou a soluçar, foi quando
escutou como antigamente ele dizendo:
- Te amo, Lina, Feliz Natal.
Ela se virou para abraçá-lo novamente, quando percebeu
que ele já havia partido.
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