Page 140 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Retalhos de Uma Vida
Aí vieram os netos. Estas mesmas mãos trocaram mais
milhares de fraldas e deram banhos e carinho até que eles
cresceram.
Quando acharam que iam descansar, veio a doença de
minha mãe, juntamente com a de meu amor, e por quatro anos
me revesti de enfermeira, e essas mesmas mãos passaram a trocar
fraldas novamente. Mas, nunca deixaram de fazer um afago, um
carinho a quem delas precisasse.
Mamãe partiu e dois anos mais tarde meu amor se
despedia, e as mãos ficaram caídas em meu colo acreditando que
nada mais delas seria exigido.
Aos poucos, somente como uma terapia, comecei a
escrever tudo que sentia em meu notebook, e eis que a vida
colocou um novo caminho à minha frente. Como por milagre,
aquele dom que sempre tive, mas que ficou recalcado dentro de
mim, brotou com toda força, e acabei sendo reconhecida como
escritora, cronista e poetisa.
Não sei se o que escrevo é bom ou ruim, mas, o fato é que
minhas velhas mãos continuam trabalhando e enchendo minha
vida de prazeres antes nunca experimentamos.
Estas palavras são para agradecer a estas velhas
companheiras de viagem.
Adoro-as, velhas mãos!
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