Page 139 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
VELHAS MÃOS. (29/09/2016)
Todos sempre disseram que eu era dona de um belo par de
mãos, mas nunca dei importância para este elogio.
Os anos passaram e somente hoje, pela primeira vez,
depois de ter vivido tantos anos, parei para observá-las.
Olhei para o dorso e percebi que, felizmente, os anos não
me presentearam com aquelas manchas escuras próprias dos
idosos.
Resolvi observar as palmas, e ali sim, a marca dos anos foi
implacável. A esquerda carrega muitas cicatrizes, resultado de
trabalhos como cozinheira, na arte de alimentar meus entes
queridos. Marcas de cortes causados pelo liquidificador quando
confundiu temperos com meus dedos. Nesta ocasião, quase perdi
meu dedo mínimo e três outros ficaram comprometidos, mas
tudo passou e voltou ao normal.
Quantas coisas estas mesmas mãos fizeram! .... Serviram
para acariciar enquanto rolava na cama com meu amado.... Nós
dois perdidos em nuvens de paixão.
Foram incansáveis nas trocas de fraldas de coco e xixi,
quando os filhos chegaram. Sempre prontas a um abraço, um
afago e até mesmo um castigo nas horas justas.
Foram incansáveis no preparativo de roupas e agasalhos
para toda família. Costurou, tricotou, fez crochê, desenhou,
esculpiu; também serviu para secar as lágrimas de quem
precisasse delas.
Em uma época, descobriu a pesca, e aí trabalhou com amor
e carinho preparando o equipamento para todos os companheiros
de pescaria. Diziam que eu era a mais habilidosa.
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