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Retalhos de Uma Vida
MAIS UMA LIÇÃO DE VIDA. (07/03/2021)
Acordei no meio da noite e senti falta de meu fiel escudeiro
a meu lado, meu gatinho Pequeno Tigre, ou melhor, o Tigrinho,
como gosto de chamá-lo. Apurei os ouvidos e consegui escutar
um chorinho abafado vindo do jardim de entrada de nossa casa.
Desliguei o alarme e quando abri a porta da frente ele
passou por mim como se fosse um raio e se aboletou em minha
cama. Estava muito assustado, mas logo se aquietou. Eu, ao
contrário, fiquei acordada pensando na vida.
Não sei como, mas uma cena de quando eu tinha mais ou
menos uns nove anos veio à minha mente.
Eu estava na fazenda, ajudando a todos na lida dos porcos
abatidos. Era o dia em que a colônia se reunia para derreter a
banha e fritar as carnes que seriam conservadas nela.
Destes porcos nada era perdido, até o sangue se
transformava em chouriço. A pele que sobrava era temperada
moída e se transformava em Cudiguim.
Eu me encontrava numa das pontas da mesa, enchendo
linguiça com uma máquina que era parecida com a de moer
carnes; só que esta não moía, somente empurrava a carne moída
e temperada, para dentro de uma tripa que era colocada em um
cano na saída desta engenhoca.
Mamãe se aproximou e deu um nó na ponta da tripa e me
ensinou como fazer os gomos da linguiça. Fiquei horas
produzindo gomos e mais gomos; quando uma tripa acabava, eu
dava um nó e logo começava outra fiada que logo seria colocada
junto com a anterior. A maioria teria o mesmo destino das carnes,
mas algumas seriam penduradas em cima do fogão de lenha para
serem defumadas enquanto mamãe cozinhava.
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