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Retalhos de Uma Vida
HOMENAGEM A MEUS PÉS. (03/7/2020)
Durante estes longos meses de recolhimento, acabei
ficando confinada a meu quarto e quase sempre recostada em
minha cadeira. A pandemia mundial prendeu o mundo todo em
suas casas, e eu mais ainda pela precariedade de minha saúde.
Como sempre, fui muito observadora, comecei a admirar
meus pés, coisa que nunca havia feito.
No começo, achei que eles eram estranhos, não consegui
encontrar nenhuma beleza neles e comecei uma comparação com
minhas mãos, que ao contrário, eram belas e expressivas e
conseguiam até falar sem que eu pronunciasse palavra alguma.
Passado algum tempo, comecei a me revoltar, pois para as
mãos já haviam escrito lindos textos. Há até uma peça de teatro,
um monólogo sobre as mãos, que faz muito sucesso. Até mesmo
eu escrevi sobre as belezas e virtudes de minhas próprias mãos.
Como escritora da vida real, comecei a pensar sobre meus
pés e acabei descobrindo que eles são simplesmente o alicerce
de nosso corpo.
Com apenas 30 a 50 cm, conseguem suportar toda massa
muscular e óssea de cada pessoa, independentemente de seu peso
ou estatura.
Os meus pés, quando eu ainda era jovem e pesava poucos
quilos, me levavam para onde eu quisesse ir. Eu era lépida e
lampeira, por isso adorava correr, escalar e até dançar. Muitas
vezes, passava a noite toda dançando sem nenhum cuidado com
eles. Não era raro, que para poder me levarem até em casa, tinha
que retirar os sapatos de tão cansados se encontravam.
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