Page 45 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
Costumava assumir os compromissos de uma verdadeira
cuidadora quando fosse necessário. Estava sempre pronta a
ajudar quem precisasse.
Deve ter sido uma linda jovem. Pois quando a conheci já
era uma senhora e seus filhos já estavam criados e ainda tinha
lindos traços de beleza em seu rosto. Casara-se com um italiano
de nome Atílio Capellato, outra figura sui generis. Andava
sempre de terno e nunca deixava de colocar sua gravata
borboleta, apesar de já não ser usada há muitos anos. Ele era
aposentado da Estrada de Ferro Paulista de Araraquara. Pelo
padrão de vida que levavam, sua aposentadoria devia ser muito
boa. Mas ele sempre fazia parecer ser muito maior do que
realmente era. Gostava de se mostrar com muita imponência,
mas era uma pessoa de um coração maior que seu peito. Com
ele, Cecília teve quatro filhos: Luís Alberto, Carlos Alberto, José
Alberto e Maria Cecília (Cecilinha). Esta última minha amiga.
Quando ingressei na família, eu tinha apenas dezoito anos,
e me encontrava muito assustada. O Arnaldo, quatorze anos mais
velho, não podia me fazer muita companhia, pois tinha que
trabalhar, e nossa casa não havia ficado pronta a tempo. Desta
forma, tivemos que nos transferir para a casa de meus sogros.
Isso tudo foi traumatizante, eles eram uma família tradicional e
eu não sabia a forma correta de como me comportar. Cecília
nesta ocasião foi meu porto seguro. Ela e sua filha me deram o
maior apoio e me ensinaram como agir frente aos meus sogros.
Ainda bem que foram apenas três meses e logo nos mudamos.
Acontece que me vi grávida e minha vida mudou
radicalmente. Minha mãe, nesta ocasião, vivia mais com meu pai
cuidando de um pequeno sítio que ele havia comprado perto de
Gavião Peixoto, e por esse motivo não podia contar muito com
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