Page 49 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
aguentava, mas ao entrar em casa as crianças gritavam de alegria,
pois adoravam essa fruta.
Outra peculiaridade de meu cunhado era o exagero de
doces e chocolates que trazia para meus filhos. Quase sempre
acabavam com algum distúrbio digestivo, mas não adiantava
pedir que moderasse. Fazia sempre o que queria.
Eu os amava como se fossem meus pais, mas quis a vida
nos afastar aos poucos.
Passado algum tempo, Atílio adoeceu e acabou falecendo
em poucos meses.
Cecília que pensava poder respirar um pouco sem ter que
cuidar de ninguém, se enganou, pois Luizinho, seu filho mais
velho, acabou adoecendo e descobriram que teria pouco tempo
de vida. Era portador de um câncer no pâncreas em estado
avançado.
Cuidou de seu filho até o final e se viu novamente sozinha.
Ficou comigo algum tempo, mas logo teve outro duro
golpe: seu filho Carlão foi internado com problemas cardíacos e
lá foi ela cuidar dele. A doença não demorou a levar seu último
filho homem para o mesmo lugar onde seu marido e seus outros
filhos se encontravam.
Novamente sozinha e alquebrada, pediu para ficar aqui em
casa, mas nós ficamos com medo, pois, nesta época, meus filhos
estavam fora, duas fazendo faculdade e o José, nosso filho, se
casara e morava em São Carlos. Por esse motivo, a casa ficava
quase sempre sem ninguém, pois Arnaldo já se aposentara e nós
quase não parávamos em casa, viajávamos muito. Cecília já com
idade avançada inspirava cuidados e ficamos com medo de
deixá-la sozinha por longos períodos.
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