Page 48 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Retalhos de Uma Vida
Todos se revoltaram e acabaram não aceitando esta
situação e a jovem acabou seguindo seu próprio destino sem a
bênção dos pais e do resto da família.
Eu achava tudo um absurdo, mas tinha que seguir a forma
de pensar de meu marido. Muitas vezes ela telefonou para mim,
mas nada pude fazer. Era uma época de muitos preconceitos.
Com o passar do tempo, Cecília e Atílio resolveram se
mudar de vez para São Paulo.
Carlos Alberto, o Carlão, casou-se com Luci e mudou para
São José do Rio Preto. Passado algum tempo, Luís Alberto, o
Luizinho, também se casou e os dois acabaram sozinhos.
Neste meio tempo, uma irmã de Atílio acabou sendo
atacada por um câncer, e Cecília passou a fazer as vezes de
enfermeira e acompanhante até que ela veio a falecer.
Todos os anos, na época de finados, os dois vinham e se
hospedavam em minha casa. Meus filhos adoravam, pois, meu
cunhado quando chegava trazia com ele como presente, as
últimas novidades em canetas, lápis ou qualquer outro acessório
escolar. Eles amavam esses mimos e ficavam sempre ansiosos à
espera da chegada deles.
Nestes dias, a casa costumava ficar em festa, apesar da data
tão triste.
Vinham para homenagear os mortos da família. Na véspera
do Dia de Finados, minha casa ficava totalmente florida, pois
tanto eram os maços de flores que compravam. Era na realidade
um exagero, mas assim eles eram.
Até hoje trago gravada em minha memória a figura de meu
cunhado voltando do cemitério carregando duas melancias. Uma
embaixo de cada braço. Francamente, não sei como ele
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