Page 53 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
Alguns colegas também partiram prematuramente; às
vezes, por doenças, mas a maioria, por acidentes de motos ou
carros.
Posso afirmar, com certeza, que todos eles continuam
vivos dentro de mim através do legado que deixaram.
Afirmo que tudo que me ensinaram contribui, até hoje,
para o crescimento da pessoa de bem que sou.
Primeiro foram meus avós, depois meus pais, que partiram
para uma nova jornada. Assim também partiram meus sogros,
cunhados, sobrinhos, tios, e meu querido marido. Pouco tempo
depois, perdi um de meus irmãos, e, posteriormente, sua esposa.
Parece que estou fazendo um balanço de minha vida: a
maioria das pessoas que fizeram parte integrante dela já se
foram. Até meu grande amor partiu no dia 9 de janeiro de 2002.
Não sei como consegui seguir todo este tempo sem ele. Foi
muito difícil, mas, continuei a minha jornada, sempre olhando
para o futuro.
Só agora sinto a solidão que me restou, apesar de viver em
uma casa ao lado de uma de minhas filhas, e os outros dois
viverem na mesma cidade, ainda assim sinto-me perdida nesta
reta final.
Cada um de meus filhos e netos, tem sua própria estrada a
trilhar. Na maioria das vezes, não seguimos na mesma direção.
Assim é a vida! Sempre foi e sempre será; cada ser tem seu
próprio universo intransponível, um mundo que é só seu.
Algumas vezes, conseguimos alguém que caminhe ao
nosso lado, todavia, na maior parte, estaremos sempre presos em
nosso mundo particular.
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