Page 71 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
Lutei contra a ditadura, acreditando que sem ela seríamos
um povo livre e feliz, mas me enganei, pois, os dirigentes que
colocamos no poder não eram os que nós esperávamos que
fossem. Em sua maioria, só pensaram em si próprios e se
esqueceram do povo que é quem paga para serem governados
por eles.
Acabaram com as nossas escolas. Os professores, que são
os que formam o alicerce de toda e qualquer profissão, vivem
com um salário de fome. Como buscar se aperfeiçoar sem ter ao
menos com o que sobreviver? Povo sem escola é povo sem
cultura e sem futuro.
Também fui a heroína da vida real, aquela que encontra
seu amado se casa, tem filhos e vive feliz para sempre, (santa
ilusão). Me transformei naquela mãezona, que só cuidou da casa,
marido e filhos. Depois, vieram os netos, a doença do marido, e
eis que me vejo novamente sozinha.
Os filhos cresceram, formaram suas famílias, mas, quando
separados de seus cônjuges, voltaram para usufruir dos meus
cuidados novamente. No começo até que aceitei, mas chegou o
momento em que resolvi dar meu grito de independência e assim
o fiz.
A partir deste momento, comecei a viver uma nova vida.
Me descobri escritora após os sessenta anos de idade (coisa que
estava encubada dentro de mim). Isso aconteceu durante a
enfermidade de meu marido, mas, na ocasião, acreditei que seria
apenas momentâneo, pois era a história de vida dele. Fiz isto para
levantar a sua moral que estava em baixa. Mas, com o incentivo
dos que gostaram de meu primeiro livro, acabei seguindo em
frente, e graças a Deus continuarei escrevendo enquanto vida eu
tiver.
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