Page 76 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Retalhos de Uma Vida
Acontece que ao bater, a porta prendeu uma das asas da
corujinha que lhe servia de peso, e com isso fez uma alavanca
que impedia a abertura da lingueta da fechadura.
Lutamos por algum tempo e então resolvi pedir arrego à
Ana, que trabalhava em nossa casa.
Ela se sentou no chão e com muita força conseguiu separar
o corpo da corujinha de sua asa, mesmo assim nada de sucesso.
Nem de dentro, nem de fora, nenhuma das duas conseguia retirar
a asinha que ali se encontrava.
Acabei dando um palpite, já que não estava fazendo nada,
a não ser tentando abrir o trinco da porta:
- Bella, você tem uma tesoura no seu quarto? Pegue-a e
comece a destroçar a asinha, creio que somente assim
conseguiremos liberar a porta.
Ao mesmo tempo, peguei outra tesoura na mesa de meu
computador e dei à Ana para que agisse da mesma forma deste
lado.
Não foi fácil destroçar o vilão da história.
Enquanto as duas ficavam lutando para retirar o recheio da
asa do bichinho, comecei a dar tratos à imaginação.
Como seria se ela estivesse sozinha no apartamento?
Estava ali trancada, sem telefone, sem intercomunicador, sem
iphone, sem computador, e sem Ipad. Havia deixado tudo fora
do quarto. Mesmo se começasse a gritar, nenhum vizinho a
escutaria, pois o quarto fica distante do corredor. O outro prédio
vizinho fica bem distante e a piscina dele é muito pouco
frequentada. Ainda bem que estávamos presentes!
Demorou, mas terminaram de destroçar a coitadinha da
asa.
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