Page 73 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
MEUS OITENTA ANOS. (31/maio/2018)
Sempre acreditei que não conseguiria chegar até aos
oitenta anos, mas eis-me aqui! Sinto-me vitoriosa, pois a vida me
concedeu mais algum tempo. Não sei se serão dias, meses ou
anos, mas podem acreditar, de acordo com as minhas limitações,
vou vivê-los intensamente. O passar dos anos me ensinou a
retirar de cada dia tudo o que há de melhor e deletar o que por
ventura me machuca. Me transformou em uma pessoa paciente e
sábia.
Hoje, diferentemente da época da minha juventude, já não
me importa se o que vou vestir está na última moda, nem se é a
vigésima vez que vou usá-la, tudo que vale a pena é me sentir
bonita e confortável. O que os outros pensam já não me
incomoda, desde que eu esteja me sentindo feliz e realizada, é
tudo o que importa.
Não policio mais o que digo ou faço. Se sinto vontade de
rir, rio, se tenho vontade de chorar, choro. Se me vem a vontade
de cantar canto, mesmo que minha voz já não tenha a mesma
sonoridade de outrora. Muitas vezes, quando escuto as músicas
que fizeram parte de minha juventude canto e danço. Sei que já
não tenho a mesma agilidade e graciosidade de outrora, mas o
faço como se vinte anos eu tivesse. Não me importo mais com o
julgamento de terceiros.
Hoje, descobri que as minhas amarras foram cortadas e eu
sou a senhora de minha vida. Não sei até quando poderei seguir
sem depender de outras pessoas, mas enquanto puder, quero
fazer e aproveitar tudo que a vida puder me oferecer.
Avaliei os meus últimos vinte anos e fiquei abismada com
tudo que consegui neste curto espaço de tempo. Talvez por ter
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