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Retalhos de Uma Vida
O SANHAÇO. O SERESTEIRO. (03/02/2018)
Ontem, ao receber a visita de minha antiga serviçal e
grande amiga Janaína, durante nossa conversa, ela me fez
lembrar de uma cena que estava guardada bem no fundo de
minhas memórias mais queridas.
Estava eu me recuperando de uma embolia pulmonar que
quase me levou a óbito em casa de minha filha Isabella. Janaína
e Ana, a serviçal de minha filha, se revezavam nos cuidados para
comigo.
Nesta ocasião, eu pouco podia fazer; ficava a maior parte
do tempo frente à TV e, quando cansava, pegava o Notebook e
jogava um pouco para me distrair. A minha criatividade andava
em baixa, por isso pouco escrevia. A maior parte do tempo,
simplesmente, cochilava.
Em uma manhã de novembro, fui despertada pelo canto
maravilhoso de um pequeno pássaro que havia pousado em um
dos galhos da trepadeira de jasmim, que minha filha havia
plantado para perfumar o ambiente. Ela se encontrava florida,
por isso eu me sentava próxima à grande janela para aproveitar
a beleza das flores e seu perfume.
O seresteiro era um pequeno Sanhaço de um cinza azulado
e muito luminoso. Dava a impressão de ser fosforescente quando
a luz do sol batia em suas penas. Eu nem respirava fundo com
medo de assustar o pequeno cantor. Ele ficou por ali muito tempo
e parecia que me encarava antes de entoar novamente seu canto
melodioso. Comecei a pensar que ele realmente estivesse
cantando somente para me animar. Como chegou partiu, e eu
fiquei inebriada com sua serenata.
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