Page 92 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Retalhos de Uma Vida

            passeava com ela, mostrando o que cada vaso havia apresentado
            de novidade.
                  Ficavam  assim  por  muito  tempo  conversando  com  as
            plantas. Esta imagem ficou gravada em minha mente como se a
            estivesse vivendo hoje. Retrata o amor e ternura entre um homem
            de  mais  de  um  metro  e  oitenta  e  um  animalzinho  pequeno  e
            indefeso, de apenas uns 40 centímetros.
                  Meu  marido  costumava  se  levantar  muito  cedo  e  como
            meu dia seria estafante cuidando da casa e dos filhos, ele não
            permitia que eu me levantasse com ele. Fazia seu café e depois
            tomava  seu  banho,  pois  saía  às  7  horas  todos  os  dias  para  o
            trabalho.
                  Assim que ele deixava a cama, a Kika, pois era assim que
            a chamávamos, se apossava de seu travesseiro e ali permanecia
            até que eu me levantasse.
                  Nesta ocasião, eu possuía um carro da marca Gordini, pois
            o glaucoma ainda não se havia manifestado, e eu o usava para
            levar meus filhos e alguns coleguinhas para as escolas, aulas de
            ginástica e alguns cursos de línguas, todos os dias.
                  Assim que eu pegava as chaves do carro, Kika saía em
            disparada em direção à garagem e ficava à espera da abertura da
            porta do carro. Assim que a abria, imediatamente tomava seu
            lugar  junto  ao  para-brisa  traseiro  onde  ficaria  de  guarda,
            enquanto eu estivesse fora de casa.
                  Não deixava nenhuma pessoa estranha se aproximar. Se
            por um acaso tentassem entrar no carro sem minha permissão,
            eram atacados com mordidas violentas, apesar de seu minúsculo
            focinho.







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