Page 98 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Retalhos de Uma Vida
Olhei com atenção e pude ver dois olhinhos cor de mel me
encarando assustados. Era uma linda gatinha da raça Persa,
muito pequenina, devia ter uns dois ou três meses de vida.
Minha reação foi imediata:
- Não quero este presente, vocês sabem que não quero me
apegar a nenhum animal, e além do mais, vai me impedir de
viajar quando eu quiser. Não quero mais me sentir presa.
As duas responderam ao mesmo tempo:
- Presente não se rejeita.
Coloquei a caixa sobre a mesa e fiquei observando aquele
pequeno filhote, que estava tão assustado que mal se mexia.
Foi assim que a minha outra alma gêmea, desta vez felina,
entrou em minha vida.
Em seu pedigree trazia registrado o nome de Cris, mas
minha neta achou que Íris combinava mais com ela e assim ela
passou a se chamar.
Encheu minha vida de amor e carinho. Tal como a minha
cachorrinha Mikika, não me desgrudava.
Dormia comigo todas as noites, deitada no travesseiro que
sempre ficava ao meu lado.
Ao acordar sempre encontrava os seus olhinhos me
encarando como quem diz: "Levanta sua preguiçosa! O sol já
despontou!" Isso quando não era despertada por sua linguinha
áspera penteando meus cabelos ou acariciando minha testa ou
bochechas.
Tinha sempre que tomar cuidado ao caminhar, pois ela
sempre se encontrava perto e muitas vezes entre minhas pernas.
Era minha eterna companheira. Só que ela possuía rins
policísticos e passou a ser minha constante preocupação. Mas,
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