Page 94 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Retalhos de Uma Vida
Sua língua ficava sempre fora de sua boquinha, não mais
conseguia comer coisas sólidas, sendo assim, eu fazia uma
espécie de papa que colocava em sua boca em pequenas porções
de duas em duas horas.
Não havia passado pela minha cabeça sacrificá-la, eu a
amava tanto que não queria perdê-la de forma alguma. Egoísmo
meu, que nesta ocasião não conseguia entender isto.
Aconteceu que meus pais tiveram problemas de saúde, os
dois ao mesmo tempo.
Mamãe, com uma diverticulite, teve de ser internada; meu
pai foi pego por uma pneumonia e foi tratado em casa.
Meus irmãos trabalhavam nesta ocasião e um deles residia
em Maringá no Paraná. Os cuidados foram divididos, mas a
maior parte ficou comigo, pois não trabalhava fora.
Minha vida virou de pernas para o ar. Às 6 horas da manhã,
me dirigia à casa de meus pais para ministrar os remédios,
limpar, trocar e servir o lanche para papai.
Depois ia até a cozinha preparava uma suculenta sopa para
servir na hora do almoço a ele. Esperava a entrada do serviçal e
partia de volta a minha casa.
Cuidava de meus filhos, da Kika e outros cachorros que
tínhamos em casa naquela ocasião. Terminado estes afazeres,
partia para o hospital para ficar um pouco com mamãe.
Não me preocupava muito com ela, pois estava cercada de
enfermeiras e médicos. E meus irmãos sempre dedicavam alguns
instantes de seus dias a lhe fazer companhia.
Quando retornava a casa estafada da correria diária,
sempre encontrava Kika à minha espera. Com dificuldades, se
arrastava até à porta de entrada.
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