Page 95 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
Tomava-a em meus braços e a colocava sobre o tapetinho.
A partir daí onde eu fosse a arrastava comigo.
Num destes estafantes dias, ao regressar não mais
encontrei minha amiguinha.
Corri a casa toda e comecei a entrar em desespero, quando
a porta se abriu e meu marido com meu filho entraram com cara
de quem havia estado em um velório.
Imediatamente perguntei:
- O que aconteceu com a Kika?
Eles me abraçaram e disseram que a tinham levado ao
veterinário para acabasse com seu sofrimento.
As lágrimas começaram a jorrar de dentro de mim como
se fosse um tsunami.
A raiva brotou como nunca e comecei a agredir os dois
com socos e berros de dor. Parecia que haviam rasgado meu
peito e retirado meu coração a sangue frio.
Por muitos dias fiquei sem falar com eles, mas, aos poucos,
minha raiva foi ficando menor e comecei a perceber que eles
estavam com a razão.
O sofrimento dela estava sendo enorme. Somente eu, com
meu egoísmo, não percebia o quanto ela resistia à morte por
amor a mim.
Depois deste dia, jurei que nenhum animal que tivesse,
partiria deste mundo sem que eu tivesse a chance de me despedir.
O que mais dói é não ter tido a oportunidade de dar adeus
à minha amada Mikika.
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