Page 97 - RETALHOS DE UMA VIDA
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Maria “Nilza” de Campos Lepre
Fiz uma viagem de turismo para a Europa, seria a primeira
que faria em grupo, pois as outras havia feito somente com meu
marido. Me arrependo de ter feito, apesar de ela ter sido
maravilhosa, foi muito cansativa. Os guias não respeitam a
realidade das pessoas de maior idade, e como consequência,
voltei com trombose em uma das pernas e tromboflebite na outra.
Passado algum tempo, e eu já me considerando curada,
sem aviso, um coágulo se desprendeu e se alojou em meu
pulmão.
Quase morri. Fiquei por quinze dias na UTI e mais um mês
num quarto do hospital. Graças a Deus escapei, mas com
algumas sequelas.
Minha filha não deixou que eu retornasse a minha casa,
pois era muito grande e não poderia ficar sozinha. Passei dois
meses com ela, mas apareceu uma oportunidade de comprar a
casa vizinha à dela e assim o fiz.
Ela é médica e quase não fica em casa, por este motivo
continuava quase que totalmente só, por isso, retornei à minha
vida e aos meus afazeres antigos, mas, à noite era só tristeza!
Um dia, minha neta nos convidou para assistir à sua defesa
de tese em São Paulo. Terminado o evento, partimos rumo a um
shopping para almoçarmos.
As duas resolveram fazer algumas compras e eu fiquei
esperando em companhia de meu neto Henrique, na praça da
alimentação.
Algum tempo depois, elas apareceram com uma caixa
dessas de transporte de animais e colocaram em meu colo
dizendo:
- Este é nosso presente para que não mais se sinta só.
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